Marte

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Dados físicos · Classificação: T10A9B4gfc (antes da terraformação, T10A9B4gk). · Raio da órbita: 227.900.000 km
(1,52 U.A.). · Excentricidade: 0,093 · Inclinação do eixo: 24º · Período de revolução: 686,98 dias
(1,88 anos) da Terra · Velocidade orbital: 24,13/s · Período de rotação: 24 h 37 min · Diâmetro equatorial: 6.794 km
(0,533 da Terra) · Achatamento: 1/125 · Volume: 162 bilhões de km³ (0,15 da
Terra) · Massa: 640 quintilhões de toneladas
(0,107 da Terra) · Densidade: 3,94 g/cm³ · Gravidade no equador: 3,73 m/s²
(0,38 da Terra) · Velocidade de escape: 5,30 km/s · Satélites naturais: · Fobos – 22 km de diâmetro, órbita
com 9.400 km de raio e período de 7 horas e 38 minutos. Aparece para os
marcianos como um pequeno oval de magnitude visual -10 (300 vezes mais
brilhante que Vênus vista da Terra, mas 10 vezes menos brilhante que a Lua) · Deimos – 11 km de diâmetro, órbita
com 23.500 km de raio e período de 30 horas e 23 minutos. Aparece para os
marcianos como um minúsculo oval de magnitude -7 (20 vezes mais brilhante que
Vênus vista da Terra). · Ponto culminante: Monte Olimpo,
24.013 m sobre o nível do mar. · Pressão atmosférica (após
terraformação): 800 milibares · Temperatura média (após
terraformação): 12º Celsius · Área: 143.850.000 km², sendo
76.850.000 km² (53%) de terras emersas, incluindo 9 milhões de km² de
geleiras e 67.000.000 km² (47%) de mares e lagos, incluindo 11 milhões de
km² permanentemente congelados. |
Dados biológicos e
sociais: · População: 3.359.893.567 · PIB: 265 trilhões de cômputos · Composição étnica: novihumanos marcianos
88%; novihumanos terrestres 5%; outros novihumanos 2%; outros hominídeos de
origem terrestre 1%; outras espécies
inteligentes de origem terrestre 1%; inteligências de origem extra-terrestre
2%; inteligências artificiais 1%. · Principais línguas: holandês,
grego, latim, árabe, hebraico, português, inglês, russo, quéchua, aimara e
tibetano. · Calendário: ano de 669 dias
marcianos, dividido em doze meses com a seguinte duração (em dias marcianos): ·
Didemoi, 61 (equinócio da primavera). ·
Karkinos, 65. ·
Leon, 66 (afélio marciano). ·
Parthenos, 65 (solstício de verão). ·
Zugos, 60. ·
Skorpios, 54. ·
Toxotes, 50 (equinócio de outono). ·
Aigokeros, 47. ·
Hydroxous, 46 (periélio marciano). ·
Ichthues, 48 (solstício de inverno). ·
Krios, 51. ·
Tauros, 56. · Os dias marcianos, que duram 1,02745
dias terrestres (24 horas, 39 minutos e 32 segundos), dividem-se em 100 ciclos marcianos, cada um dividido em 1.027,45 tempos. |
A Terraformação de Marte
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Paisagem
de Marte numa fase avançada do processo de terraformação, ano de 2550 |
Em
1930, quando os primeiros astronautas pisaram o solo de Marte, sua atmosfera era
constituída principalmente de gás carbônico e sua pressão era da ordem de seis
milibares, apenas 1/150 da terrestre. As calotas polares eram basicamente gelo
seco. Marte era quase tão pontilhado de crateras quanto a Lua e igualmente
morto. Os primeiros colonos habitaram bases subterrâneas pressurizadas, das
quais só era possível sair com trajes ou veículos igualmente pressurizados.
Em
1980, porém, iniciou-se, sob o patrocínio da Comunidade das Nações, a
terraformação do planeta. O efeito estufa da atmosfera marciana começou a ser
incrementado com a produção industrial de gases como o CFC, unido ao cultivo de
bactérias capazes de liberar metano e a construção de dois enormes espelhos orbitais
de 200 mil toneladas e 125 km de diâmetro (o que significa uma área de 12 mil
km², mais de metade de Sergipe) para concentrar energia solar nas calotas
polares. Com a evaporação dessas calotas, basicamente de gás carbônico
congelado e também do gás carbônico contido no solo, a atmosfera marciana
tornou-se cada vez mais espessa e mais capaz de reter calor.
Por
volta de 2300, Marte já tinha uma atmosfera basicamente de gás carbônico com um
terço da pressão atmosférica da Terra, à qual a ação de bactérias havia
acrescentado 1% de oxigênio. Ainda longe de ser
respirável por seres humanos ou mesmo novihumanos, mas suficiente para deixar
temperatura, pressão e radiação em níveis toleráveis. Os habitantes de Marte –
que já chegavam a três milhões – viviam em tendas oxigenadas e podiam sair ao
relento sem trajes espaciais, usando apenas uma máscara de oxigênio. Já se
praticava agricultura ao ar livre, pois muitas plantas já se desenvolviam muito
bem nesse ambiente. Marte deixara de ser vermelho para ser um planeta verde.
Nos
séculos seguintes, o efeito estufa tornou a atmosfera ainda mais densa, o gelo
acumulado no subsolo marciano começou a se derreter, a vegetação converteu mais
gás carbônico em oxigênio e bactérias extraíram nitrogênio do solo. A atmosfera
tornou-se suficientemente densa e oxigenada para ser respirável, começaram a
surgir mares e lagos. O processo de terraformação foi acelerado pela evolução
da biotecnologia e da nanotecnologia e pelo deslocamento de grandes massas de
gelo do Sistema Solar exterior. O planeta Marte tornou-se azul como a Terra.
Marte hoje
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Por
volta de 2500, os novihumanos já podiam viver em Marte sem proteção, como se
estivessem na Terra. Devido à fraqueza de seu campo gravitacional, a atmosfera
dissipa-se lentamente para o espaço e tende a desaparecer em cerca de 300
milhões de anos. Para manter seu ambiente em equilíbrio, o planeta precisa
receber 50 milhões de toneladas de nitrogênio, oxigênio e hidrogênio congelados
por ano marciano, importadas de cometas trazidos do cinturão de Kuiper.
Como
Marte tem uma órbita bem mais elíptica que a da Terra, recebe 40% mais energia
solar durante seu periélio (ponto mais próximo do Sol) do que no seu afélio
(ponto mais distante). Como o periélio coincide aproximadamente com o auge do
verão no hemisfério sul e do inverno no hemisfério norte, o resultado é que o
clima da maior parte do hemisfério norte (exceto nas vizinhanças dos pólos) é
suave e primaveril, ao passo que o clima do hemisfério sul passa por extremos
de frio e calor ao longo do longo ano marciano.
As únicas formas de vida nativas encontrada pelos primeiros exploradores foram minúsculas bactérias, no interior das rochas. Continuam existindo, pois seu habitat, nas profundezas do solo marciano, foi pouco afetado pelo processo de terraformação. A elas, somou-se uma biosfera desenvolvida pela
biotecnologia, formada por plantas e animais especialmente adaptados às condições
marcianas. Graças à baixa gravidade (38% da Terra), algumas árvores e animais
(principalmente os voadores) atingem dimensões bem maiores que seus similares
da Terra.
Os
novihumanos também se adaptaram às condições marcianas, desenvolvendo grande
estatura (média de 2,15 m para os homens e 2,00 m para as mulheres), pernas
mais compridas e pulmões mais potentes para aproveitar a possibilidade de
saltar longas distâncias. Voar com asas artificiais é fácil e seguro: pessoas e
objetos caem mais lentamente.
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Uma alcatéia de falangos
(predadores desenvolvidos pela engenharia genética, a partir de ratazanas
terrestres, para o ambiente marciano) embosca um lebrílope (herbívoro desenvolvido
a partir da lebre européia). |
O
Oceano Boreal marciano é bem menor que os oceanos da Terra, mas tem
profundidade comparável e muitas formas de vida de grande porte, incluindo
cetáceos. Uma peculiaridade é que, devido, à baixa gravidade, as ondas são mais
lentas, mas alcançam alturas bem maiores do que na Terra ou em Vênus. Por outro
lado, as marés (como no mar Mediterrâneo da Terra) são quase inexistentes. Em
primeiro lugar, o próprio planeta é pequeno e, sendo os demais fatores iguais,
as marés tendem a ser proporcionais ao raio do planeta. Depois, o Sol está
muito mais distante, de forma que seu efeito sobre as marés é reduzido. Por
fim, as luas de Marte são pequenas demais para afetar as marés de forma
significativa.
Embora
Marte seja bem menor do que a Terra – apenas 53% do seu diâmetro, ou 6.790 km –
os visitantes sentem-se como anões ante o gigantismo da natureza local. Com 24
quilômetros de altura, o monte Olimpo reduz o Everest, com seus meros 8.848
metros, a um pigmeu. As árvores também alcançam alturas duas ou três vezes
maiores do que na Terra.
Marte possui 16 estações interestelares em órbita geoestacionária a 20.426 km de seu centro e 17.029 km de sua superfície. Ainda existem os dois enormes espelhos orbitais de 200 mil toneladas e 125 km de diâmetro (o que significa uma área de 12 mil km², mais de metade de Sergipe) que foram originalmente usados para derreter as calotas polares no processo de terraformação e hoje servem para ajudar a regular o clima marciano. A pressão da luz solar permite a esses espelhos flutuarem sobre Marte a 214.000 km de altitude.
O planeta possui dois pequenos satélites: Fobos e Deimos. O primeiro é habitado por 1.890 Novihomo vacui e 200 inteligências artificiais; o segundo, por 453 Novihomo vacui e 37 inteligências artificiais.
População
Marte tem 3,6 bilhões de
habitantes distribuídos por doze regiões:
·
Lunária – O nome vem do Planalto de Luna, que ocupa a maior parte de sua
extensão e tem uma altitude média de 3.000 m acima do nível do mar. O planalto
tem um clima comparável ao da Serra da Mantiqueira e a costa tem clima
subtropical. Foi povoada principalmente por imigrantes brasileiros. A área
total é de 2.400.000 km² e a população, de 300 milhões. A capital é Nova
Brasília, com 10 milhões de habitantes.
·
Marínia – Recebeu seu nome do Golfo do Marinheiro, formado quando a
terraformação do planeta fez o Oceano Boreal inundar o que outrora foi o Valles Marineris, uma fossa de paredes
escarpadas com 5.000 km de extensão e largura de até 320 km (o Chile caberia
dentro dele) e profundidade de até 6.000 m. Nas margens ocidentais do Golfo,
encontra-se a megalópole de Areópolis, centro cultural, político e econômico do
planeta, com duzentos milhões de habitantes. Com clima subtropical (comparável
ao do Uruguai), foi originalmente povoada por imigrantes da região mediterrânea
da Europa (principalmente Itália e Portugal), mas veio a receber povos de todas
as partes da Terra e de Marte. A área total da região é de 750.000 km² e sua
população total é de 300 milhões.
·
Arídia – Região relativamente plana na costa sul do mar de Ares, tem um clima
temperado a frio comparável ao da costa atlântica da Europa. Foi colonizada
principalmente por holandeses, colombianos do norte e alemães. Sua área é de
2.900.000 km² e a população de 600 milhões. Sua capital é Teutônia, com 10
milhões de habitantes.
·
Nova Canaã – A região mais quente de Marte, com um clima tropical
comparável ao do leste do Brasil, chuvas fortes no litoral e interior
semi-árido. Há dois grandes lagos formados pelo fundo de antigas crateras:
Cassini (80.000 km²) e Schiaparelli (50.000 km²). Foi colonizada principalmente
por brasileiros. A área é de 8.500.000 km² e a população, de 500 milhões. A capital
é Novo Recife, com 12 milhões de habitantes.
·
Sírtia – A faixa litorânea, junto ao Golfo de Sirte Maior, é de clima
subtropical ameno, ao passo que o interior é uma região montanhosa e
relativamente árida, dominada pelos Montes Sabeus, com altitude média da ordem
de 5.000 metros. A população descende principalmente de imigrantes turcos,
árabes, curdos e persas. A área é de 9.500.000 km² e a população, de 650
milhões. A capital Nova Istambul, nas margens do Golfo, tem 35 milhões de
habitantes e é a segunda maior concentração populacional do planeta.
·
Olímpia – Recebeu seu nome de seu acidente natural mais notável, o Monte
Olimpo, que se eleva 24.013 m sobre o nível do Oceano Boreal e 27 km em relação
a seu fundo. Esse enorme vulcão cobre uma área comparável à da Grã-Bretanha e
toda a ilha do Havaí caberia em sua cratera, hoje ocupada na maior parte por um
lago que permanece congelado por todo o ano (exceto nos dias mais quentes do
verão) e pela cidade de Nephelokokkygia (50.000 h), construída dentro de um
grande domo pressurizado. A população descende principalmente de utopianos,
gregos, armênios, persas e árabes. A região mais oriental, onde se encontra o
Monte Olimpo, é árida, mas irrigada por rios caudalosos. O resto dessa vasta
região tem clima subtropical. A área total é de 12.800.000 km² e a população de
750 milhões. A capital é Hespéria, nas margens do Golfo de Sirte Maior, com 25
milhões de habitantes.
·
Elísia – Uma ilha com clima mediterrâneo no litoral e uma cadeia de altos
picos nevados no interior, que ocupa 30% do território da ilha e cujo ponto
culminante é o vulcão Monte Elísio, com 12.987 m de altura e uma cratera de 150
km². A população descende de portugueses, gregos e utopianos. São 100 milhões
de habitantes vivendo em 1.400.000 km². A capital, Cidônia, tem três milhões de
habitantes. Não muito longe dela, há um sítio arqueológico notável: inclui um
rosto esculpido com extensão de 1,5 quilômetro e gigantescas pirâmides. A maior
delas tem mais de um quilômetro de altura e quase três quilômetros na base.
Indicam que uma espécie alienígena humanóide, oriunda de fora do Sistema Solar,
ocupou Marte temporariamente, há mais de 3,5 bilhões de anos. Sua identidade
não foi estabelecida com certeza: os pouco fósseis encontrados não se
assemelham a nenhuma espécie conhecida. Os prociônidas, que acreditam tratar-se
de seus antepassados, fizeram desse lugar um centro de peregrinação.
·
Asgárdia – Constituída por uma grande península entre os golfos de Tântalo, ao
norte e Kasei, ao sul e outra menor, um pouco mais ao norte. O clima,
comparável ao da Escandinávia, fica entre temperado e subártico, mas com
variações de temperatura muito menores do que as das regiões frias do
Hemisfério Sul (Heládia e Argíria). Os habitantes, na maioria, são descendentes
de suecos e escoceses. A área é de 1.800.000 km² e a população de 25 milhões.
·
Argíria – Quase tão inóspita e quanto Heládia e também caracterizada por
extremos de frio e calor, tundra e geleiras, também possui um mar interior
formado por uma grande cratera, o mar de Argíria, com 450.000 km². Povoada
principalmente por esquimós e patagões. A área total é de 8.000.000 km² e a
população é de 15 milhões de habitantes. A capital, Iqaluit, tem 500 mil habitantes.
·
Solária – Formada pelo imenso Altiplano do Sol, com 8.000 metros de altitude
média e que contém três dos maiores vulcões de Marte: o Monte do Pavão (22.200
m), o Monte Ársia (15.400 m) e o Monte Ascreu (16.200 m) e grandes geleiras ao
sul. O clima é frio e lembra as regiões mais altas dos Andes e do Himalaia.
Região povoada principalmente por descendentes de incas, tibetanos e nepaleses.
A área total é de 14.000.000 km² e a população, de 80 milhões. A capital,
Atimarka, tem um milhão de habitantes.